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2006/11/07

 

"Não te fixes apenas no destino final, concentra-te na viagem que estás a fazer".


Os objectivos não devem ser classificados em função da facilidade da sua realização. Devemos sempre procurar compreender as circunstâncias pessoais e a maneira de influenciar a capacidade para atingir determinado objectivo.
Não devemos parar de aprender com a experiência e adquirir, permanentemente, a vontade de enfrentar com honestidade os problemas. Depois, devemos procurar alguém que nos possa prestar uma ajuda suplementar.
Há muitas circunstâncias que não são desculpas mas apenas duras realidades que podem tornar a realização de um objectivo muito difícil.
Devemos ser realistas ao fixar objectivos e prazos. Algumas pessoas falham porque esperam demasiado de si próprias e impõem a si mesmas uma meta demasiado ambiciosa, em vez de tentarem atingir gradualmente um objectivo, dando-se o tempo suficiente para fazer tudo aquilo de que precisam.
Haverá outras que acham que devem apressar-se a alcançar qualquer objectivo que se propõem, sem reflectir sobre ele ou sem possuirem os instrumentos para que resulte. Muitas vezes, é melhor fixar um objectivo mais limitado, alcançá-lo e avançar para outro do que pretender conseguir algo que se apresenta à partida como um enorme desafio.
Um aspecto fundamental é manter a motivação. Muitas pessoas desanimam facilmente mesmo antes de terem sequer tentado. Alcançar um objectivo intermédio pode dar a força, o impulso e a motivação para fixar outro mais ambicioso.
Há uma bela expressão que pode ajudar a melhorarmos como pessoa "Não te fixes apenas no destino final, concentra-te na viagem que estás a fazer". Define claramente qual é o teu destino último, pensa no caminho que pretendes seguir, e sê realista.

2005/08/15

 

MEDO DE EXISTIR OU A MANIA QUE EXISTIMOS

Vivemos num mundo em que o cinismo e a hipócrisia com doses q.b de mediocridade imperam. Isso já todos sabemos. Mas o paradigma está a mudar. Agora temos a mania que existimos e que tudo o que nós fazemos é o mais importante. Temos a mania que existimos e somos maníacos de nós próprios.

Se contar uma história passada comigo a explicação sobre a mudança de paradigma é mais clara. Há uns meses atrás liguei a um amigo. Marquei o número e depois do sinal de chamada característico fui atendido. Cumprimentamo-nos normalmente e de repente do outro lado ouvi um: "Olha, já te ligo!". Bom, pensei o homem está com algum stress. Tudo bem.

O que é facto é que me ligou mais tarde e pudemos falar. Após umas semanas, o mesmo telefonema e o mesmo comportamento, com o mesmo feedback reactivo. Pensei na altura, isto deve ser o "Síndrome do Executivo Moderno", ou seja, "não tenho tempo para nada porque estou com o stress, portanto já te ligo". Até aqui tudo bem.

É um comportamento que está retratado na literatura contemporânea americana, e para quem não lê nas séries televisivas importadas. Era até um comportamento que emanava de um desenvolvimento urbano (sinal de modernidade) não fora nós vivermos numa província. Como sabem a nossa Capital é mais pequena (a todos os níveis) que uma base aérea americana, onde quer que esteja.

Bom, após o "já te ligo" a nova forma de modernidade, descobri recentemente, é o "depois ligo-te". Se a primeira significava que a pessoa tinha uma noção clara do que é importante e urgente, tornando prioritário tudo menos o nosso telefonema, mesmo sem conhecer a razão essencial deste, esta segunda forma eu chamar-lhe-ia de "mania de existir".

No fundo é um convite para ficarmos à disposição do outro sem dizermos que não. Passamos de uma fase em valorizávamos a comunicação para passarmos a outra que é precisamente a ausência desta. Mas pior, agora ficamos à disposição dos outros porque alguns outros PENSAM QUE EXISTEM.

Nesta batalha do EU vence o medíocre porque só uma alma medíocre se disponibiliza para disputar o EU e a sua mania de pensar que existe.

Às vezes parece que estou a ser entrevistado pelo Larry King LIVE numa versão We'll be Right Back, ou seja, estamos sempre a ir para intervalo para compromissos publicitários. Uma espécie de constrangimento que resulta de uma mistura de um "medo de existir" com um exagerado "penso de existo e existo mais que outro".

Isto até tinha a sua piada se não fosse uma praga contagiante. A mediocridade é contagiante. E aquilo que era o comportamento de apenas algumas pessoas passou a ser uma praga urbano-depressiva.

De facto, é fácil constatar que esta praga não existe para além das fronteiras da nossa pseudo cidade europeia. Como podemos nós padecer de patologias urbanas se vivemos em aldeias?

No meio disto tudo há ainda quem pense que o mais importante e urgente (conceitos importantes para quem quer gerir o tempo de forma profícua) é quem está e quem está à nossa frente. A pessoa que está é a mais importante. E por isso não atendemos o telefone e ficamos a falar durante minutos sobre o estado do mar com alguém que nada tem para dizer, quando temos alguém à nossa frente que abdicou de ligar para alguém para falar do estado do mar com outrém ao telefone.

Agora tenho que ir... que fiquei à disposição de alguém que me disse que já me ligava sem que eu lhe pudesse responder o que quer que seja, e pior, sem que a razão do meu telefonema pudesse passar através das ondas hertzianas. Quando as telecomunicações forem baseadas em IP surgirá outra forma de comunicar. Sem tentar antecipar, mas de acordo com a tendência será um: "olha, em príncípio ligo-te daqui a um mês, nessa altura falamos".

2005/07/27

 

PROXÉMIA



I have learned to depend more on what people do than what they say in response to a direct question, to pay close attention to that which cannot be consciously manipulated, and to look for patterns rather than content. --Edward T. Hall (1968:83)

. . . Every cubic inch of space is a miracle. --Walt Whitman (Leaves of Grass, "Miracles")The desire for personal mobility seems to be unstoppable--it is, perhaps, the Irresistible Force. --Charles Lave (1992)

Spatial signs, signals and cues. According to its founder, Edward T. Hall, proxemics is the study of humankind's "perception and use of space" (Hall 1968:83).



2005/05/29

 

PROCURA A FELICIDADE EM TI...



Não tenho filhos e tremo só de pensar.
Os exemplos que vejo em volta não sugerem o contrário. Resmas de
amigos constituem as respectivas famílias, apesar da benesse, não
levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente
mergulhados numa angústia e numa ansiedade patológicas.
Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da
posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não
numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe:
jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos
cinco, escola aos seis. E um exército de professores explicadores,
educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de
competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente
nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas
construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos
outros, em progressão até ao infinito. É preciso o emprego
de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho,
as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a
mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro:
quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais
desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por
arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma
lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas
sim a felicidade!


2005/05/09

 

A importância das pequenas coisas...


Quantas vezes nos lembramos daquelas pequenas coisas que fazem a diferênça... e quantas vezes, mesmo depois de lembrarmos... não as levamos avante... e quantas vezes ouvimos que são as pequenas coisas que realmente são importantes... de facto, a vida é feita de pequenos momentos... do mesmo modo que damos importância a esses pequenos momentos que, no fundo, são os mais importantes momentos das nossas vidas, devemos também, nós, ser capazes de proporcionar pequenos momentos a aos outros... através de pequenas coisas, pequenos gestos... os tais que fazem a diferença... o gesto que é o que nós sentimos depois de lá não estar... depois da sua ausência... sentir é a ausência do gesto... ter ou sentir um pequeno momento de felicidade é lembrar a sua ausência e a ausência do gesto que a antecedeu... é esta a importância das pequenas coisas... e somando-lhe os pequenos gestos estamos permanentemente próximo da felicidade... e viver é isto mesmo...


2005/04/28

 
"Frio, o mar" Posted by Hello

2005/04/27

 
"Namoro em Lisboa"


 
"Luar"


 
"Transparente"



2005/04/26

 

2005/04/11

 

DOMINGO-FEIRA



Domingo-feira... só existem dois dias sem feira... a forma como o calendário nos influência vai de uma excêntrica felicidade... a uma extrema melancolia... o facto de sabermos que algo vai acabar enche-nos de tristeza... por que o dia que aí vem é um dia de feira... por que sabemos o que é... por que entramos na rotina... é um sentimento semelhante ao de alguém que sabe que vai morrer... ao contrário o calendário também nos guarda outras surpresas... como quando começamos um novo ano... e nos enchemos de esperança que algo novo vai acontecer... algo de bom... como perpetuar a eterna esperança afastando o predominante fado?...como semear a felicidade e ceifar o infelicidade?... como podemos fazer para que os bons momentos se perpetuem e preencham a nossa vida?... será esquecendo o calendário que nos obriga... o tempo... o tempo que não existe... o tempo que é uma invenção dos homens... para marcar a sua finitude... para sabermos que outros existiram antes de nós... para outros que não sabem que existem se lamentarem ou desculparem "NÃO TENHO TEMPO!"... como pode alguém ter uma coisa que não existe... como podemos nós agarrarmo-nos a algo que não existe... falarmos de algo que não existindo marca a nossa vida de forma irritante como o barulho de um tic tac... damos importância a coisas que não existem... e desvalorizamos a nossa existência em troca da sensação intangível de tempo... para que serve o calendário?... Não poderiam todos os dia ser dia de feira?...

2005/03/31

 

DESASSOSSEGO...


O Livro do Desassossego
Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa

Autobiografia sem factos
1
Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido – sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não- significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.

Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.

A quem, como eu, assim, vivendo não sabe ter vida, que resta senão, como a meus poucos pares, a renúncia por modo e a contemplação por destino? Não sabendo o que é a vida religiosa, nem podendo sabê-lo, porque se não tem fé com a razão; não podendo ter fé na abstracção do homem, nem sabendo mesmo que fazer dela perante nós, ficava-nos, como motivo de ter alma, a contemplação estética da vida. E, assim, alheios à solenidade de todos os mundos, indiferentes ao divino e desprezadores do humano, entregamo-nos futilmente à sensação sem propósito, cultivada num epicurismo subtilizado, como convém aos nossos nervos cerebrais.
Retendo, da ciência, somente aquele seu preceito central, de que tudo é sujeito às leis fatais, contra as quais se não reage independentemente, porque reagir é elas terem feito que reagíssemos; e verificando como esse preceito se ajusta ao outro, mais antigo, da divina fatalidade das coisas, abdicamos do esforço como os débeis do entre timento dos atletas, e curvamo-nos sobre o livro das sensações com um grande escrúpulo de erudição sentida.

Não tomando nada a sério, nem considerando que nos fosse dada, por certa, outra realidade que não as nossas sensações, nelas nos abrigamos, e a elas exploramos como a grandes países desconhecidos. E, se nos empregamos assiduamente, não só na contemplação estética mas também na expressão dos seus modos e resultados, é que a prosa ou o verso que escrevemos, destituídos de vontade de querer convencer o alheio entendimento ou mover a alheia vontade, é apenas como o falar alto de quem lê, feito para dar plena objectividade ao prazer subjectivo da leitura.

Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que escrevemos. Mas imperfeito é tudo, nem há poente tão belo que o não pudesse ser mais, ou brisa leve que nos dê sono que não pudesse dar-nos um sono mais calmo ainda. E assim, contempladores iguais das montanhas e das estátuas, gozando os dias como os livros, sonhando tudo, sobretudo, para o converter na nossa íntima substância, faremos também descrições e análises, que, uma vez feitas, passarão a ser coisas alheias, que podemos gozar como se viessem na tarde.

Não é este o conceito dos pessimistas, como aquele de Vigny, para quem a vida é uma cadeia, onde ele tecia palha para se distrair. Ser pessimista é tomar qualquer coisa como trágico, e essa atitude é um exagero e um incómodo. Não temos, é certo, um conceito de valia que apliquemos à obra que produzimos. Produzimo-la, é certo, para nos distrair, porém não como o preso que tece a palha, para se distrair do Destino, senão da menina que borda almofadas, para se distrair, sem mais nada.
Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao ue fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes cegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego

2005/03/29

 

GOLPE D'ASA

O que escrever num Blog com o nome Golpe D'Asa?

Não sei... por isso, e por que as melhores coisas da vida são espontâneas... não vou premeditar a minha escrita... talvez isso a torne tão desinteressante e sem qualquer tipo de Golpe d'Asa.. ou então não... e no meio de tanto disparate seja possível surgir alguma ideia com Golpe D'Asa...

A ideia de ter um Blog é antiga... não por que ache que tenha o dom da escrita ou das ideias, mas por que às vezes apetece-me dizer algo e não tenho ninguém para me aturar... esta talvez seja a forma de eternizar os meus próprios disparates... e, eventualmente, alguém um dia achar que a coisa até pode ter Golpe d'Asa...

O nome Golpe d'Asa surge de um amigo que está, permanentemente, à procura do próprio Golpe d'Asa... acho até que é fácil confundi-lo com um animal com penas... não vou dizer qual não vá ele ler isto... Nessa procura sofre com um sorriso nos lábios... ou como ele diz tem mais dentes que uma serra....

Como diria outro conhecido a escrita implica alguma dor... ter golpe d'Asa a escrever implica muito sofrimento... que é coisa que não me apetece agora...

Este blog não tem propósito... mas se tivesse era ter sempre algum Golpe d'Asa... ao nível das ideias, da escrita, da arte, da música, do cinema, do amor, da filosofia, da ciência, das coisas, das não coisas, enfim da vida...


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